Archive for 3 junho, 2008
Wilmar Silva entrevista RR
(Retirado do site Germina Literatura)
Wilmar Silva — Ao final da origem, o que guarda de Felixlândia na memória da infância?
Romério Rômulo — Por seis meses meus pais moraram em Felixlândia e lá eu nasci. Assim, Felixlândia não chega a ser um retrato na parede. Mas a vida deles, e por conseqüência a minha, na infância, foi sempre pelo cerrado, nas proximidades do Rio São Francisco. Daí, terra, cerrado e rio são meus elementos vitais. Mesmo aquela planura monótona me toca. E fui descobrir, mais tarde, que a pouca atratividade do cerrado é só aparente. Você descobre, se dentro dele, belezas intensas. Uma das flores mais bonitas que conheço é a do pequizeiro. E quem esperaria que aquela árvore sugerisse isso? (não me pergunte se sou um pequizeiro — espinhos e mais espinhos na fruta — com algumas flores!)
fundamento
um corpo pode ser muito tamanho
se lhe carregam um lastro tão maior
que o tempo. lhe devora as entranhas
o nu ressequido, extirpado, nuvem
de gafanhotos da noite.
tamanho corpo, nu, pode ser noite,
se a alma rasa sobrar só em calúnia,
se a boca nua se extirpar em pedra,
se o rasgo do ouvido for espaço.
(extirpar o cancro salgado do olho)
